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BLOG ♡ Viajeros en Colombia

BLOG ♡ Viajeros en Colombia

Atenção atenção, esta postagem segue diretamente de Cartagena das Índias, na Colômbia, onde eu e o Ri viemos passar alguns dias descansando, passeando e comemorando um monte de coisas: um ano de namoro, o dia dos namorados, o fato do Ri não ter mais um tumor no cérebro… E a vida, que deve ser comemorada sempre! Se você já veio para cá e tem alguma dica bacana para nos dar, que tal mandar para contato@flaviamelissa.com.br? Vai ser ótimo receber toques bacanas durante nossa estadia por aqui…

Sabem, uma das coisas que mais gosto de fazer na vida é viajar. Resquícios dos tempos de criança em que toda sexta-feira entrava dentro do carro e ia para a praia com meus pais? Talvez. O fato é que ver a estrada correndo debaixo das rodas do carro sempre foi algo que me fascinou. Não foi à toa que, dos 25 aos 28 anos, trabalhei em um acampamento de férias que me exigia viagens constantes. Na época eu brincava que morava dentro do meu carro. Além de ficar no vai e vem entre Sampa e Sapucaí Mirim, onde o acampamento estava localizado, eu tinha um namorado que morava em Ilhabela e era para lá que eu ia, todos os finais de semana, e para onde me mudei, algum tempo depois. Daí foram mais 3 anos no vai e vem entre Sampa e o litoral… Afe, que me cansa só de lembrar a correria. Mas eu amava a estrada, amava estar em movimento, amava o ir e vir.

Apesar de amar viajar aos finais de semana, sentia vontade de conhecer lugares mais distantes mas, para estes, eu precisava tirar férias. E, curiosamente, tirar férias e viajar era algo que despertava em mim sentimentos bastante ambíguos:  se por um lado era a oportunidade de, além de descansar, conhecer outros lugares e culturas, por outro eu sentia um medo danado. Medo de meus empregadores ou pacientes não sentirem falta de mim enquanto eu estivesse fora e, ao voltar para o trabalho, ser demitida (de uma forma ou de outra). Este medo, que apenas retratava o tamanho da minha insegurança e falta de autoestima, não era o único. Eu tinha um medo apavorante de, mais cedo ou mais tarde, me encantar com um lugar ao ponto de não querer mais voltar para a minha casa e para a minha vida. O que, ironicamente, foi justamente o que aconteceu quando fui para a China em 2009, em uma viagem de estudos.

A verdade é que minha vida profissional me angustiava ao extremo por vários motivos: eu não acreditava plenamente naquilo que fazia, eu não conseguia me sentir desempenhando o que sentia possuir como missão no mundo, a rotina da vida de uma psicóloga me impedia de passear e viajar o quanto eu gostaria… Enfim: nada estava exatamente do meu agrado. E eu não conseguia entender ou intuir o que fazer para mudar. O fato é que de lá para cá tanta coisa mudou (inclusive EU, que me mudei para a China, onde morei durante o ano de 2010) que, hoje, quando penso no tipo de vida que estou conseguindo construir fico muito contente por perceber que, cada vez mais, me aproximo de ser a pessoa que quero ser e de viver a vida como desejo viver.

Eu nunca imaginei que, trabalhando com autoconhecimento como trabalho, conseguiria construir uma rotina em que coubessem viagens como esta que estamos fazendo! Não foi uma viagem planejada, e sim mais uma das coisas que acontecem quando resolvemos seguir os sinais – como no filme “Matrix”, quando Neo recebe a instrução: siga o coelho branco! Estávamos, em um domingo à noite, assistindo a um programa no canal TLC quando, de repente, transmitiram a propaganda desta linda cidadezinha no Caribe Colombiano. Nunca tinha ouvido falar de Cartagena e, ao ver as ruas de pedras cheias de casinhas coloridas, fiquei curiosa para saber um pouco mais sobre o lugar. No dia seguinte, atendendo a uma cocriadora querida, fiquei sabendo que as passagens aéreas estavam com preços ótimos para o mês de junho, em que tanto aviões estariam chegando ao Brasil cheios de turistas sedentos pelos jogos da Copa mas que voltariam vazios para seus países de origem; fixei a informação. Duas horas depois, estava atendendo a outra cocriadora que contava como havia sido seu final de semana; no momento em que ela comentou que, em determinado momento, foi até o aeroporto dando uma carona para uma amiga que estava indo para Cartagena, arregalei os olhos. Assim que o atendimento terminou, sentei-me na frente do computador: “Cartagena, passagens aéreas, Cartagena”, repeti mentalmente. “Passagens aéreas” era a próxima peça. Naquele mesmo dia cheguei em casa com o eticket impresso e avisei ao Ri: “a gente vai viajar, tá?”. Ele só deu risada e disse que eu era doida. E quer saber? Se viver assim é ser doida, quero ser doida pro resto da vida.

A realidade, do modo como eu entendo a vida e as coisas, é que absolutamente nada nos impede de construir a vida que desejamos viver do modo que mais nos agrade. E se trabalho com pessoas auxiliando-as em seus processos de autoconhecimento e desenvolvimento tanto no âmbito individual como nos trabalhos em grupo, não devo menos do que isso a mim mesma. Como posso estimular que as pessoas vivam seus encantamentos se não levar os meus a sério? Como posso dizer às pessoas que sejam criativas e que pensem livremente no momento de construir suas vidas pessoal e profissional de modo que nunca tenham que deixar de ser quem são para que ganhem dinheiro e, na minha própria vida, não me permito ter estes pequenos deleites inesperados se todo o meu coração apontou na direção de estar aqui hoje?

Vejam só que coisa interessante: lembram que eu disse que tinha medo de sair de férias e, lá pelas tantas, meus pacientes e empregadores decidirem que não sentiam a minha falta e que não precisavam de mim? Pois bem, o medo apenas existiu enquanto EU PRÓPRIA tinha medo de descobrir que não sentia falta de minha vida tal como estava orquestrada. Se hoje em dia estes medos existem? De jeito nenhum! Não tenho medo de que meus pacientes descubram que não precisam de mim porque eu tenho a ABSOLUTA CERTEZA de que eles NÃO PRECISAM de mim do mesmo modo que EU NÃO PRECISO DELES. Ninguém precisa de ninguém, esta é a verdade. Precisar de algo é a maior das ilusões, e a maior liberdade é poder escolher em vez de precisar. Nosso único desafio é perceber isso e sermos felizes sendo exatamente quem somos e exatamente como somos, sem mudar nossa essência por medo de perder isso ou aquilo. E nossa essência… Nossa essência é amor. Nossa essência é encantamento. Nossa essência é fluidez.

Por isso, se posso deixar uma mensagem para vocês no dia de hoje a mensagem é: sigam seus encantamentos. Abracem suas paixões. Respeitem suas naturezas. Se uma das coisas que você mais ama na vida é viajar, honre sua própria natureza e dê um jeito de dar espaço às viagens em sua rotina – e o mesmo vale se a sua paixão são os esportes, a música ou a pintura. HONRE OS SEUS INTERESSES. São eles que fazem de você um ser único, porque, sabe… Você é um ser único – não se preocupe em ser normal. Como diz Maya Angelou, em uma de minhas citações favoritas, “Se você ficar o tempo todo se preocupando em ser normal, jamais descobrirá o quão incrível você pode ser”.

Seja incrível. Seja você.
Shine, shine, shine ♡

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