0
Sobre a existência de Deus

Sobre a existência de Deus

P: “Flavia Melissa, seja sincera: você acredita em Deus?”.

R: Não acreditar em Deus, para mim, seria como não acreditar que eu estou aqui, neste exato momento, respondendo esta exata pergunta! Mas eu preciso te perguntar: de qual Deus você está falando? O que é Deus, para você?

Para responder esta pergunta, precisamos definir o que é Deus, porque cada religião tem o seu. Eu não acredito no Deus católico, no D’us judaico, nos deuses pagãos ou no Deus do Islã. Mas no MEU DEUS, eu acredito. E mais do que acreditar: tenho ele vivo, dentro de mim. Deus, para mim, é o amor que eu tenho por todas as coisas e seres que existem – é o que me inspira a ser uma pessoa melhor. Deus, para mim, é a origem e o destino final de todas as coisas que existem neste mundo – e é o motivo pelo qual todas estas coisas, da origem ao fim, existem! Eu acredito em Deus como uma força criadora, como o momento exato em que a vibração daquela primeira partícula de energia atingiu o seu auge e não pôde mais ser o que era – Deus foi o que a impulsionou a mudar de forma, ao mesmo tempo ele foi a primeira forma, e a próxima também. Deus é expansão. Deus é tudo o que existe, o que sempre existiu e sempre vai existir, independentemente do conceito de tempo e espaço.

Mas eu não acredito no Deus dual: o Deus bom, porque isso implicaria acreditar em seu oposto, o Diabo. E eu não acredito em trevas – as trevas são apenas a ausência de luz. Não acredito em energias positivas e negativas – acredito em energias de diferentes vibrações, como as ondas sonoras: algumas são mais longas, outras mais curtas. Existem energias mais elevadas e vibrantes, e energias mais baixas e estagnadas. E ainda: ambas são Deus. Você pode me dizer, mas como você pode dizer isso, se acabou de dizer que Deus é amor?

Do ponto de vista de uma criança que recebe uma bronca dos pais, a bronca é ruim – o elogio é bom! Acredito que sejamos crianças, enraizadas no plano da dualidade e do Ego; e até onde conseguimos enxergar as coisas, o que é bom vem de Deus. O bom nos faz bem, é gostoso se sentir bem. Mas não acho que devem ter sido bons os tombos que levamos na infância, quando tentamos pelas primeiras vezes nos levantar e andar. Ainda assim: foram necessários. Às vezes, a dor não é boa no momento em que a sentimos, mas depois de um tempo olhamos para trás e percebemos que o resultado daquilo foi positivo: nos fez crescer, calejou nossos joelhos, nos fez perder o medo de cair novamente. E conseguimos caminhar. Deus é o Caminho, é quem caminha, é o próprio ato de caminhar.

Por isso, Deus, para mim, é a totalidade: bom e ruim, de mãos dadas, pois a única condição pela qual reconhecemos o que está no alto é porque o baixo existe. Só entendemos o que é luz quando descobrimos que a sombra existe, e isto nos dá a possibilidade de escolher pela luz. Deus é o que nos dá a possibilidade, o livre-arbítrio! Sem o mal, não saberíamos o que é bom – tudo seria a mesma coisa, um equilíbrio que não nos possibilitaria experienciar nada: seria um estado de inexistência. Mas para que possamos descobrir que somos, precisamos que algo que não somos: precisamos do outro. Deus, para mim, sou eu e o outro. Somos todos nós: todos somos um, e o Um é Deus. Por isso: Namastê. O Deus que habita em mim saúda o Deus que habita em você ♡

Mãos em Prece.

Sobre flavia