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BLOG ♡ Siga os sinais!

BLOG ♡ Siga os sinais!

Esta semana me peguei, em inúmeras situações, pensando em como as coisas são loucas e acontecem de um jeito absolutamente orgânico e natural quando a gente está conectado com os desejos mais sinceros e verdadeiros do coração. É muito louco perceber a virada de 180 graus que minha vida deu, nós últimos anos; e é absolutamente gratificante saber que os meus passos e minha jornada tem inspirado outros passos e outras jornadas, às vezes de muitas pessoas que nem conheço mas que, de vez em quando, me reconhecem na rua e me chamam para conversar e compartilhar a importância que os meus vídeos ou que minhas postagens assumem em seus processos e em suas dores. E o mais maluco é como tudo isso nasceu da minha própria dor, dos meus próprios desafios e das minhas próprias experiências de busca por mim mesma. Se alguém hoje me pedisse um conselho, em um momento confuso, sobre o que fazer da vida eu diria: siga seu coração. E se você não souber onde ele está, siga os sinais – eles sempre te conduzirão para dentro de você.

Posso dizer, sem qualquer sombra de dúvida, que o ano de 2012 foi um dos mais difíceis e desafiadores da minha vida. Eu havia acabado de voltar de uma temporada morando na China, estava totalmente sem grana, todo o dinheiro que eu tinha eu havia investido em um consultório em sociedade com um amigo que não tinha dado certo e, aos 31 anos de idade, era sustentada pela minha mãe. Em um ato heróico, na tentativa de me sentir menos inútil e desastrosa do que me sentia, havia convencido minha mãe a me ajudar a alugar um espaço de atendimento só meu – o mesmo lugar onde continuo, até hoje. Mas todas as minhas tentativas de conseguir pacientes haviam se revelado infrutíferas e eu me sentia a maior farsa do Universo. Eu estava aboletada em um conjunto comercial em um dos bairros mais caros de Sampa, com um aluguel de quatro dígitos que eu não conseguia pagar em nome da minha mãe e meu pai como fiador, e sem a menor ideia do que fazer para sair desta posição.

Às vezes as coisas pareciam dar indícios de melhora e eu tinha 4, talvez 5 pacientes marcados em uma semana. Quando isso acontecia eu me permitia pequenos luxos como, por exemplo, sair para almoçar com amigos ou comprar uma blusinha nova. Em uma destas situações, lembro-me como se fosse ontem, eu fui almoçar com um amigo em um dos meus restaurantes favoritos – um  taiwanês no bairro da Liberdade, onde eu conseguia comer uma bela refeição por menos de R$20,00. Recordo-me de ter passado o almoço inteiro policiando minhas palavras, tentando ser positiva, evitando entrar em contato com meus medos e tentando, a todo custo, calar as vozes que falavam na minha cabeça de que eu era um fracasso total e completo. Depois de almoçar, caminhamos até a Sociedade Taoísta e entramos na sala do altar para respirar e meditar por alguns momentos mas, ao me sentar na cadeira e pegar o celular para desligá-lo, verifiquei que eu havia recebido algumas ligações e mensagens de texto. E, apenas para encurtar a história, em cinco minutos absolutamente TODOS os pacientes que eu atenderia naquela semana desmarcaram seus atendimentos.

Naquele dia, lembro-me de ter simplesmente desmoronado. Chorei, chorei, chorei e simplesmente me entreguei. Olhei para as imagens das divindades no altar e pensei, “não vou mais lutar contra a maré. Se o que eu preciso viver neste momento é isso, então eu aceito. Não vou mais ter expectativas, mas também não vou mais sofrer. O que tiver que ser vai ser”. E, naquela semana, não fiz absolutamente mais nada a não ser gravar vídeos. Muitos, todos os dias. Eu vinha para o meu belo espaço, neste belo prédio comercial onde as pessoas faziam coisas realmente grandes e importantes acontecerem, sentava diante da câmera e falava, falava, falava. Por horas. Trazia uma mochila cheia de blusas, que eu ia trocando de vídeo em vídeo para não parecer que estava gravando todos os vídeos no mesmo dia. E quando chegava em casa e minha mãe me perguntava se eu tinha atendido bastante e eu dizia que tinha gravado muitos vídeos, via a preocupação em seus olhos. Mas dentro de mim eu estava ok. Porque aquela dor, aquela insegurança e ansiedade de “dar” certo não eram mais minhas. Eu havia entregado para o Universo.

Às vezes eu ficava apreensiva. E, nestes momentos, deixava que minha mente física falasse mais alto e me perdia em pensamentos. Ficava que nem uma doida, procurando formas de divulgar o meu trabalho – e, olhe só a ironia, eu NUNCA havia pensado em usar os vídeos para conseguir pacientes. Os vídeos eram uma forma de me expressar, que nem compartilhar direito eu compartilhava. Na verdade eram a ÚNICA coisa que eu sentia, verdadeiramente, vontade de fazer. E muitos foram os sinais que me mostraram que eu estava no caminho certo, porque sabem, eles sempre estão por aí. Às vezes eles são discretos, e a resposta para uma dúvida sobre o que fazer ou não vem na letra de uma música, que de repente você ouve tocando dentro de um carro parado no trânsito da avenida enquanto você caminha na calçada. Às vezes vem em uma frase que estampa a camiseta de uma pessoa que cruza o seu caminho no shopping. E, às vezes, os sinais são tão escancarados que só seriam mais gritantes se aparecessem em um outdoor, piscando em néon.

Como um dia em que eu caminhava no minhocão aqui perto da minha casa. Era um domingo cedinho, e os domingos eram sempre dias apreensivos porque é quando a gente começa a se preparar para a semana – e, no meu caso, a semana era uma grande ponto de interrogação. E, naquele domingo em especial, eu estava bastante ansiosa. Durante o café da manhã minha mãe tinha me sugerido que eu fizesse propaganda do meu trabalho na revistinha do bairro, aquela que reúne pequenos anúncios de Psicólogos ao lado da propaganda dos restaurantes delivery e embaixo dos Pet Shops. E eu, por mais que não visse sentido nenhum em fazer isso porque NUNCA na vida procuraria um psicólogo nos classificados de uma revista, havia ficado com aquela coisa na cabeça: meu consultório estava vazio, meu aluguel sendo pago pela mamãe, eu tinha 31 anos e estava falida… Um monte de vozes me julgavam e criticavam dentro da minha cuca e e eu comecei a cogitar a ideia de fazer menos vídeos e realmente pagar uma grana preta para anunciar ao lado da propaganda da sapataria express. Afinal, se as pessoas pagavam o que aqueles anúncios cobravam, é porque deveriam funcionar, certo? Quem eu pensava que era pra simplesmente entregar a minha dor pro Uni pensando “toma aí essa dor que ela não me pertence mais”? Então eu realmente achava que era assim? E quem era eu, afinal? Uma tonta que havia largado tudo seguindo o coração, que tinha ido morar na China e, ao voltar, era uma trintona sustentada pela mamis, com um aluguel bizarro sendo custeado por terceiros para um consultório que não servia prá nada além de ser um ótimo cenário para vídeos que, cá entre nós, eu nem compartilhava porque tinha vergonha alheia de mim mesma do que os outros iam pensar e como iam me julgar? Ah, estava decidido: no dia seguinte eu entraria em contato com a revistinha do bairro e faria um anúncio. E com as revistinhas dos bairros vizinhos também, talvez até na Vejinha. Eu precisava criar vergonha na cara.

Enquanto eu pensava nisso tudo, caminhava ouvindo música no iPod. E, no exato instante em que eu chegava a esta conclusão, o iPod deu pau e a música parou. Eu parei de caminhar e comecei a apertar o botão desesperadamente, amaldiçoando de Steve Jobs ao vendedor da Fast Shop que tinha me vendido o apetrecho quando, de repente e não mais que de repente, dois homens passaram conversando. Um deles perguntou ao outro: “e aí, foi lá?”. Ao que o outro respondeu:

– Ah, não fui não. Eu acho até que ela está certa em querer que eu faça terapia, mas ir na consulta que ela marcou com uma psicóloga que ela encontrou nos classificados da revistinha do bairro? Aí já é demais. Psicólogo de revista de bairro não dá.

Ao ouvir esta frase eu juro-por-tudo-que-é-mais-sagrado que eu parecia que tinha tomado um murro no queixo. Meu coração disparou de um modo que achei que fosse desmaiar. E, assim que o homem terminou a frase e seguiu andando, meu iPod voltou a funcionar!!! Como em um passe de mágica! A minha vontade era parar as pessoas que passavam na rua, pegá-las pelo pulso e dizer, “cara, você não faz ideia do que acabou de acontecer!”. Era como se Deus tivesse descido do céu para a Terra, olhado para mim e dito: KEEP WALKING, BABY!! E, de repente, todo o blablabla mental desapareceu e eu voltei para casa absolutamente certa de que tudo estava em seus devidos lugares. No dia seguinte comecei a compartilhar meus vídeos no Facebook, não como uma forma de conseguir pacientes, mas porque eu sentia que mais pessoas poderiam se beneficiar das conclusões que estavam vindo com os tapas na cara que eu estava tomando da vida. O mais irônico de tudo é exatamente isso, eu NUNCA tive a presença de espírito de pensar que meus vídeos poderiam servir de meio de divulgação do meu trabalho! E talvez as coisas nunca teriam acontecido como aconteceram se eu tivesse começado a fazer vídeos encarando-os como uma ferramenta para conseguir alguma outra coisa além de simplesmente compartilhar sentimentos. Ou talvez teriam, nunca saberei… O fato é que os sinais aparecerem na hora certa. Ou talvez eles sempre tenham estado lá. Ou não.

O fato é que se você está em um momento confuso da sua vida, acredite em mim quando te digo: siga os sinais. Preste atenção em absolutamente tudo o que acontece à sua volta, porque o Universo tem inúmeras formas de se comunicar conosco. Preste atenção ao que as pessoas conversam ao seu lado na fila do banco, mesmo que você seja chamada de curioso e de intrometidinho (como as vezes o Ri me chama, hahaha!). Preste atenção às letras das músicas que invadem seus ouvidos. Preste atenção ao que acontece o tempo todo, do lado de fora da sua cabeça – tem sempre alguma coisa acontecendo. Tem SEMPRE algum sinal apontando um caminho. SEMPRE. Apenas preste atenção, e os sinais virão. Conecte-se com seu coração e você estará conectado com o centro de tudo o que existe, porque você é tudo o que há e tudo o que há habita seu interior. Siga os sinais: eles te lembrarão disso. É para isso que os sinais servem – eles são lembretes, pequenos lembretes a te dizer o quanto divino você é e o quanto honrados e legítimos são seus sonhos. Siga os sinais. Apenas siga.

Namastê, boa vida!

 

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