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BLOG ♡ Sobre minha busca por equilíbrio

BLOG ♡ Sobre minha busca por equilíbrio

Venho ensaiando escrever sobre isso já há algum tempo, e o motivo de não ter conseguido fazer isso antes faz parte do assunto sobre o qual este post vai tratar, que é exatamente a dificuldade que a busca pelo equilíbrio pode representar em nossas vidas.

Tudo parece ser tão simples! Eu tenho algo para compartilhar com as pessoas, sento-me em meu computador, escrevo, acerto os erros, escolho uma foto bacana, posto e compartilho. Certo? E, impressionantemente, faz mais ou menos duas semanas que estou para fazer isso e a coisa simplesmente não rola. Eu me sento para escrever e minha assessora me manda um email que parece ser mil vezes mais urgente. Daí eu me lembro que não me lembro se agendei o pagamento do plano de saúde e paro tudo o que estou fazendo para entrar no internet banking e, quando dou por mim, faltam vinte minutos para a minha próxima paci chegar e eu ainda não coloquei a água do chá prá ferver. E então eu paro tudo novamente, coloco a água prá ferver e o tempo que resta é suficiente apenas para começar a responder o email importante para a minha assessora. Começar, porque quando o interfone toca eu salvo como rascunho para responder no próximo intervalo.

E no próximo intervalo eu aperto um botão no meu celular e lá estão elas: as ligações perdidas, as chamadas no whatsapp, o ícone do Skype piscando na tela do meu computador, três outros emails importantes para responder. O contador me pedindo documentos importantes, o domínio do meu site para renovar porque está vencendo, a amiga que tem um projeto incrível que eu me comprometi a ajudar a alavancar, o amigo de fora da cidade querendo jantar para me entregar o floral que sua esposa fofa me mandou. Demandas, demandas, demandas. Na hora do almoço opto por correr até o posto da esquina e comprar um  sanduíche para o almoço, uma barrinha de cereal para o lanche e prometo para mim mesma que vou comer direito no jantar. Acho que vocês já entenderam o que vem depois, e depois, e depois.

Esta tem sido a minha vida nos últimos dois anos, desde que os vídeos ganharam popularidade e as pessoas resolveram que eu sou iluminada e que sou mestra e que sou blablabla-whiskas-sachê. E eu? Como me sinto? Frustrada, atrasada, sempre pedindo desculpas às pessoas por não conseguir dar a elas o que elas querem/precisam na hora em que querem/precisam. Claro, não me sinto assim 24 horas por dia, 7 dias por semana. Mas todas as vezes em que penso em algo que está atrasado, na amiga que tenta marcar uma conversa por Skype e eu nunca tenho tempo, na conta que eu atrasei porque simplesmente deletei que vencia ontem… é exatamente assim que eu me sinto. Que venho me sentindo. Ou melhor, que vinha me sentindo, porque desde semana passada que resolvi colocar as coisas em uma perspectiva diferente.

Desde o começo do ano minha vida meio que virou de ponta cabeça por conta de todos os sentimentos que me assolaram diante da cirurgia do Ricardo, meu namorado. Foi um mix de emoções tão grande tudo o que vivemos que eu, como uma pessoa com histórico de transtornos alimentares, fiz a única coisa que na época consegui fazer: desatei a comer o mundo. Só que o mesmo estresse que passei teve uma outra desembocadura, que foi a crise de lombalgia mais feroz de todos os tempos. Evidentemente, já exista o fator postural envolvido. Mas o fato de eu ter desorganizado a minha rotina dos últimos dois anos em função do BUM de excesso de trabalho, deixando de lado atividades fundamentais para a minha saúde e bem-estar, como as caminhadas e o Qi Gong, foi decisivo para que a crise não passasse nunca.

Há 3 meses me vi diante da necessidade de abandonar um curso de formação de professores de Yoga que estava amando cursar pela total impossibilidade de ficar sentada por 4 horas seguidas durante as aulas. Tive que largar, também, minhas aulas práticas de Yoga porque saía pior do que entrava. Passei a fazer sessões de fisioterapia duas vezes por semana que, juntas, somam três horas a menos para fazer todas as coisas que eu tenho para fazer, de responder emails a manter o site atualizado, passando por todas as parcerias que amigos me propõem e que simplesmente não tenho tempo de sequer parar para pensar a respeito. Para tentar continuar “no topo da onda” em termos de produtividade, passei a apelar mais ainda, comprando kits de sucos prontos para beber durante o dia e não “perder tempo” almoçando fora do consultório.

Oi? Só eu enxergo a maluquice na qual minha vida estava se transformando? E tudo isso para quê? Não era pelo dinheiro – fiz muito pouca coisa na minha vida pensando no dinheiro que estas coisas me trariam. Não, dinheiro eu ganho com os meus atendimentos, não é atualizando site e nem gravando vídeo e nem escrevendo texto para outros sites e projetos e nem gravando vídeo para congressos online. Essas coisas todas eu estava fazendo, hoje eu percebo, por algo que na minha opinião é muito mais importante E PERVERSO do que o dinheiro: o reconhecimento das pessoas. O amor das pessoas. A valorização das pessoas. E, muito comumente, a não-decepção das pessoas. Eu virei virei e virei em minha vida para cair exatamente no mesmo lugar em que já estive, tantas e tantas vezes. E, ao me dar conta disso, eu mal podia acreditar.

Orai e vigiai. Eu tenho estas duas palavras tatuadas em meu corpo e estava sendo, então, a maior hipócrita dos últimos tempos. Minhas ações não vinham confirmando minhas palavras. Eu falava da importância da meditação e não estava meditando. Eu dizia sobre a necessidade de um sono de qualidade e estava acordando exausta, todos os dias. Eu estava “pregando” um equilíbrio e uma harmonia que simplesmente não vinha experimentando. E vinha, sistematicamente, me sentindo culpada por não fazer o que sabia que era o correto. Justo eu, que vivia dizendo que a culpa é a energia mais mal gasta que existe.

E, então, no momento exato em que me dava conta de todas estas coisas, o Universo-meu-chapa mais uma vez conspirou para que acontecesse exatamente o que eu precisava para me dar um chacoalhão: recebi um email de uma nutricionista que eu vinha querendo que me atendesse há mais de um ano, mas que nunca tinha agenda compatível com a minha. E, no momento em que recebi o email, em uma terça-feira, oferecendo um horário para a quinta-feira da mesma semana, não pensei duas vezes: desmarquei a paci que teria que atender na quinta e disse o SIM mais rápido da história da humanidade.

A nutri, Paula Gandin, é a maior fofa da história da humanidade e nós conversamos por horas. A identificação foi imediata e eu me senti absolutamente grata por ter me dado a oportunidade de estar lá, ainda que isso tenha representado uma baita quebra na minha rotina (desmarcar paciente para cuidar de mim definitivamente não faz parte dos meus padrões de comportamento). E, dentre todas as coisas que nós conversamos, uma me deixou de queixo caído. Ela me disse: “Flavia, é a sua vida que tem que se encaixar na sua alimentação, não a sua alimentação na sua vida”. No mesmo instante, sentindo dentro do meu coração o quanto aquilo era uma verdade inegável, estendi o mesmo raciocínio para todas as coisas “base” de minha saúde e bem-estar – meditação, caminhadas, Qi Gong. E percebi que eu havia deixado as fundações da minha casa, o meu “templo-corpo” em segundo plano e havia passado a dedicar minha energia a construir segundos e terceiros e quartos andares que, sem que eu percebesse, estavam fadados a desmoronar, mais cedo ou mais tarde, pela falta de estrutura.

Ter percebido tudo isso foi absolutamente importante para mim. E, para conseguir fazer as coisas que verdadeiramente amo fazer era inevitável deixar algumas coisas de lado. Coincidentemente – ou não – tive um mega advanced pau de servidor no meu site por causa de uma lista de malwares que estavam instalados no meu computador sem que eu soubesse. O pau me obrigou a não fazer uma porção de coisas que eu tinha que fazer… E, quando não as fiz, SURPRESA! Nada de absurdo aconteceu. Me desculpei com duas ou três pessoas pelo problema que não estava na minha alçada de solução e… Paciência. Ter dito “sinto muito mas não consigo fazer o que você espera que eu faça” neste aspecto meu deu coragem de me posicionar perante alguns projetos de parcerias que eu simplesmente não estava conseguindo colocar como prioridades na minha vida, negar um pedido de entrevista, não encontrar um baita amigo do sul que estava na cidade e simplesmente dizer não para uma paciente que queria que eu a atendesse na minha hora de almoço. Ganhei forças para organizar a agenda da fisio para conseguir almoçar todos os dias, avisei a quem interessava que eu não mais me comprometeria a gravar vídeos semanais a menos que tivesse vontade de fazê-lo e decidi que nenhuma seção do site tem atualização semanal obrigatória. Caramba!!! A sensação de liberdade que estou experimentando nos últimos dias é gigante e, sinceramente, pela primeira vez em muito tempo estou verdadeiramente despreocupada quanto a opinião de quem quer que seja sobre o que quer que seja que eu tenha decidido.

Acho que a sensação de se fazer prioridade na própria vida é mais enebriante e viciante do que muitas drogas por aí. Nunca, na minha vida, me senti mais motivada para fazer as coisas que estou escolhendo fazer. Estou absolutamente encantada com o Namastê de Teresópolis, que acontece no próximo final de semana, e extasiada com o Encontrão que rola dia 26, no Rio de Janeiro. Não vejo a hora de chegar o final de semana do dia 5 de setembro para me juntar, como participante, ao Workshop de Consciência Energética – OPH que vai acontecer em São Roque… Estava super querendo cuidar de mim, e esta será a oportunidade perfeita!! E não vejo a hora de vir aqui compartilhar mais duas coisas muuuuito legais que acontecem este ano, uma em setembro e outra em novembro… Mas, como eu disse anteriormente: tudo a seu tempo. Eu disse a seu tempo? Não: tudo a MEU tempo.

Enquanto estou aqui, escrevendo esta postagem, percebi o quanto inconscientemente perfeita foi a escolha do nome da vivência que conduzirei em Fortaleza, no final de outubro: SENDA. Porque Senda é exatamente isso: o caminho de progresso contínuo percorrido pelo caminhante espiritual, um caminho muitas vezes difícil de ser trilhado e que vai sendo construído na exata medida em que caminhamos: ninguém antes de nós trilhou este caminho, então é difícil desbravar as matas e marcar a trilha com o peso de nossos próprios pés. É isto o que estou fazendo. Desbravando minha Senda, neste exato momento. E, sempre, sentindo-me muito grata por poder compartilhar tantas coisas importantes com todos vocês.

Gratidão! Paz e Bem ♡

PS: Lá no Insta e no Face eu criei uma hashtag para compartilhar com as pessoas a minha jornada de realinhamento. A hash é #realinhandocomflaviamelissa e se você quiser partilhar de seus pequenos – porém imprescindíveis – movimentos de realinhamento, ficarei grata e me sentirei privilegiada por poder participar do seu processo! É só adicionar a hash ao final de suas postagens!!!

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