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BLOG ♡ Uma pergunta difícil

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Outro dia me perguntaram uma coisa bem assim, à queima-roupa: “porque é que coisas ruins acontecem com pessoas boas?”.

Sempre que alguém me faz esse tipo de pergunta eu fico quieta um tempão, porque esta não é uma pergunta fácil de ser respondida. Na verdade uma pergunta como esta esconde uma dor enorme e, muitas vezes, não elaborada. E é fato: não existe resposta fácil para uma pergunta com essa, porque não existe resposta fácil nunca para uma pergunta que envolva “coisas ruins”.

Coisas ruins acontecem, ponto. Não há o que se dizer a respeito disso. Não é bom perder o emprego quando se está atolado em dívidas. Não é bom ter o carro roubado sem ter seguro. Não é bom descobrir uma doença grave e, definitivamente, não é bom perder alguém amado. Nada disso é bom. Tudo isso é muito, muito ruim. Uma dor que ás vezes parece não caber no peito.

Eu já vivi muitas coisas ruins na minha vida. Já levei fora de namorado que eu era apaixonada, já descobri uma doença chata de curar em um momento super complicado de vida, já tive o carro batido, já tive cheque roubado. Já fui enganada uma porção de vezes e, algo me diz, ainda serei outras tantas porque a vida na tridimensionalidade envolve os pares de opostos escuro e claro, noite e dia, frio e quente, Yin e Yang. Os opostos são imprescindíveis para que tenhamos experiências. Não tem como sabermos o que é frio sem conhecer o quente e nem o que é bom sem saber o que é ruim. Faz parte da realidade do mundo manifestado.

Mas, levando em consideração apenas a minha experiência, todas as coisas ruins que já aconteceram na minha vida serviram de ponte para me levar para algum outro lugar. Eu levei um fora do cara que eu amava e isso me trouxe, muito indiretamente é claro, a conhecer o Ricardo e ser feliz hoje em dia. Descobrir uma doença na minha adolescência me levou a ser mais responsável com a minha saúde. Ter sofrido um acidente de carro me ensinou a tomar um cuidado extra com o trânsito em dias de chuva e ter sido enganada me ensinou, em última análise, a me perdoar por ser tantas vezes ingênua.

Quando me perguntam “porque é que coisas ruins acontecem com pessoas boas?” em sempre penso em dizer que, na verdade, a pergunta mais adequada seria ” PARA QUÊ coisas ruins acontecem para pessoas boas?”. Porque existe SEMPRE um para quê. Os porquês nem sempre serão respondidos, mas os para quês oferecem uma possibilidade de crescimento com a dor, e não de cronificação do sofrimento. Porque quando coisas ruins acontece, DÓI. Mas nem toda dor precisa se transformar em sofrimento.

O que é que você aprendeu com sua maior dor? Sempre haverá um aprendizado positivo, e eu penso que fluir com a experiência sempre seja melhor do que resistir a ela. Evidentemente, não é bom quando sentimos dor. Mas o princípio que rege todas as coisas que existem entre o céu e a terra é a impermanência e absolutamente tudo passa, mesmo quando parece que vai durar para sempre. Coisas boas e ruins passam. E dão origem a outras coisas boas e outras coisas ruins, porque assim é a vida: sol e lua se revezando no céu, primavera e outono se revezando na terra, em uma eterna e infinita dança entre os pares de opostos que regem a vida na tridimensionalidade.

Sempre foi assim. E sempre será.

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