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ONDE VOCÊ ESTÁ AGORA?

Há alguns meses iniciei um processo de cura bastante intenso. Começou com meu reencontro com minha mestra Upadhi, que é italiana e vem para o Brasil anualmente para ministrar workshops em OPH (Osho Prana Healing). Participei de seu treinamento de 8 dias que envolvia muito de meditação – e foi a primeira vez que mergulhei profundamente para dentro de mim em pouco mais de dois anos.

Este mergulho me trouxe muito de mim que eu até já sabia que existia, mas não com a força que veio. E, de repente, me vi sendo confrontada com a quantidade e intensidade com que meus medos se manifestam e interferem em minha vida.

Vem sendo um verdadeiro detox emocional.

E você?

Como é na sua vida?

Você sente muitos medos?

Como eles impactam diretamente a sua jornada?

Eu sempre fui uma criança medrosa. Nunca fui daquelas crianças que se jogam nas situações, que são destemidas e super abertas e receptivas. Sempre fui uma criança amedrontada, e não sei exatamente os motivos de ter sido assim. Mas olhando para trás, percebo exatamente de que modo o medo afetou a minha personalidade e as minhas atitudes.

Eu me tornei uma fortaleza. Uma mulher maravilha sempre disposta a ajudar a todos, indestrutível, eficaz e extremamente “evoluída”. A espiritualidade, de certa forma, foi a “fantasia” que eu usei durante muito tempo justamente para não entrar em contato com sentimentos que eu não queria experimentar e com os quais não sabia lidar, como raiva, tristeza, desesperança e arrependimento.

Eu nunca tinha percebido como tudo aquilo de que eu “me orgulhava” em mim era, na verdade, uma defesa para não entrar em contato com o que existia de mais frágil e vulnerável em mim.

Será que você também vem fazendo isso, de alguma forma?

No livro “Face to face with fear – Transforming fear into love” (Frente a frente com o medo – transformando o medo em amor), os autores Krishnanda e Amana Trobe apresentam uma ideia muito interessante. Eles demonstram, através de uma figura gráfica, o processo de acordo com o qual o ser humano vai se afastando progressivamente de sua essência no decorrer da infância e início da idade adulta – e esta figura serve, da mesma forma, como um mapa a ser seguido para retornar ao nosso centro.

O primeiro elemento desta figura é um círculo, que representa nosso centro e nossa essência. É nele que nascemos e é nele que permanecemos durante boa parte de nossa vida. Quando somos crianças somos absolutamente espontâneos e inocentes: não sentimos medo de demonstrar emoções, nos expressamos livremente e nossa autenticidade é notada em qualquer situação de nosso dia a dia.

Entretanto, em algum momento de nossas vidas entendemos que não somos amados pelo que somos. Esta mesma autenticidade que nos alimenta a alma se volta contra nós em situações que coloca o convívio em sociedade em cheque – e, então, entendemos que em alguns momentos somos inadequados. Em alguns momentos não somos como deveríamos ser, não deveríamos agir como estamos agindo e então surgem as primeiras emoções desagradáveis: frustração, raiva, vergonha, culpa. São os traumas, que inevitavelmente acontecem e que fazem com que instintivamente façamos aquilo que qualquer animal faz quando se vê diante do choque: nos defendemos.

Este movimento de defesa e de proteção faz com que saiamos deste primeiro círculo, nossa essência, e criemos um segundo círculo, externo a este primeiro – como a clara do ovo que envolve a gema, criamos uma camada constituída a partir de nossa vulnerabilidade ferida. Choque e vergonha são as emoções principais presentes nesta camada, mas se formos além delas chegamos em todas as outras emoções já descritas: raiva, mágoa, frustração, tristeza.

E como ninguém gosta de sentir essas coisas, mais do que depressa caminhamos em direção a uma outra camada, construída com refinamento para envolver as duas anteriores (no exemplo do ovo, seria a casca): a camada de proteção. Baseados em uma observação cuidadosa do mundo que nos cerca, construímos uma identidade amparada nos valores que abastecem nossa autoestima e nos identificamos com esta autoimagem construída, fazendo de tudo para que nada a coloque em risco:

A boa menina.

A espiritualizada.

A responsável.

Aquela que ajuda a todos.

A que não tem medo de nada.

A que está sempre alegre e bem disposta.

A que acredita no Universo e que confia irrestritamente na existência.

E você? Quais foram as autoimagens que você criou para você e que, assim como as minhas, vêm sendo um fardo danado para ser carregado?

A pegadinha da história reside no fato de que se quisermos verdadeiramente voltar ao nosso centro, à nossa essência, ao âmago do nosso ser, nós precisamos enfrentar a raiva, a tristeza, a mágoa, a vergonha, a culpa. E é aí que a porca torce o rabo, porque quem decide trilhar o caminho da espiritualidade e do autoconhecimento o faz porque quer se sentir bem. E, de repente, você inicia um processo de cura e, quando vê, está morrendo de raiva de alguém que você ama ou sentindo uma tristeza que é até difícil de colocar em palavras.

Mas o importante é lembrar que aquela figura criada pelo casal Trobe, os três círculos concêntricos, é tanto um mapa de onde você está quanto do que deve fazer para voltar ao seu centro. Então observe a si mesmo e perceba qual é a sua posição neste momento:

Você está identificado com sua autoimagem? Se a resposta for sim, você está na camada de proteção. Está enfrentando sentimentos como raiva, tristeza, mágoa e vergonha? Então você está na camada da vulnerabilidade ferida. Tanto faz onde você esteja, entrar em contato com estas emoções desagradáveis faz parte do processo de voltar para o seu centro e para a sua autenticidade perfeita.

E onde quer que você esteja, lembre-se sempre: onde existe um desejo, existe um caminho.

Namastê!

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  • Flavia Melissa

    Sobre

    Flavia Melissa é psicóloga, educadora emocional e criadora do Portal Despertar, uma plataforma online auxiliar do processo de autoconhecimento que vem transformando a vida de centenas de pessoas. Considerada pelo Estadão uma das 14 Youtubers brasileiras para conhecer e acompanhar, lançou seu primeiro livro em janeiro de 2017, que entrou para a lista dos mais vendidos da Veja logo no pré-lançamento.