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Será que estou meditando certo?

Será que estou meditando certo?

P: “Medito frequente e regularmente, com ajuda dos teus vídeos “Meditação para quem nunca meditou”, mas fico com a sensação de não estar fazendo certo, ou então, não obtendo sucesso. Qual, mais ou menos, é a sensação que eu deveria sentir? Terei certeza quando senti-la? Medito, e fico em calma por uns instantes depois da meditação. Mas depois surge a correria e problemas do dia a dia e, mesmo fazendo grande diferença no meu ser, não me “desestressa” por inteiro. É mesmo assim? É como falam, que na vida alguns momentos serão ruins mesmo, não tem jeito?”

R: Antes de mais nada, é importante salientar que meditar não é não pensar em nada. Muitas pessoas começam a meditar e logo desistem pois têm a ideia de que se você não consegue não pensar em nada, então não está meditando. Meditar não significa esvaziar completamente os pensamentos, mestres bastante experientes e desenvolvidos no caminho da meditação não conseguem não pensar em nada. A própria ideia de não pensar em nada é estúpida: como você percebe que não está pensando em nada, se não estiver prestando atenção? Se você perceber que não está pensando em nada, esta será uma constatação mental: será sua mente funcionando.

Meditar não é não pensar em nada. Meditar é como estar em uma avenida tumultuada: passam pessoas, bicicletas, motocicletas, carros, ônibus, caminhões. A mente é assim. Conforme você segue meditando, a rua vai silenciando. Os caminhões são os primeiros a sumir, depois os ônibus… E gradativamente, até que sobrem apenas as pessoas. É simples fazer uma avenida tumultuada silenciar? Imagine o trabalho de interromper o fluxo em uma avenida tumultuada.

Não tenha pressa; você não precisa chegar a lugar nenhum. Não existe um prazo para que você silencie esta avenida. Meditar é o processo de silenciar a avenida – a própria ideia de concluir o processo é um dos ônibus que você vai ter que tirar de lá. Com o tempo você vai obtendo alguns espaços de silêncio, como bolhas que começam a se desprender do fundo da panela depois de algum tempo de fervura. Primeiro é uma bolha, depois outra… Até que o espaço de tempo entre elas vai diminuindo. Não adianta você ficar ansioso querendo que a água ferva mais rápido – a água vai ferver no seu devido tempo. Mas se o processo de aquecimento continuar, uma hora ela ferve. Uma hora a avenida fica silenciosa… Siga meditando e lembre-se: é a jornada, não o destino!

Outra ideia que precisa ser desmistificada é a de que pessoas que meditam não se estressam com as coisas… Mas é claro que se estressam! Sim, coisas ruins acontecem o tempo todo e coisas que você não gostaria que acontecessem acontecem – o pneu do carro fura quando você está atrasado, a fila do banco está enorme e você não contava com isso, seus filhos não param de brigar e você tem que preparar a pauta daquela reunião super complicada. Sim, o bom e o ruim se revezam na roda da vida, Yin e Yang, a dualidade da Criação expressa através dos acontecimentos de nossa vida. Não há, sinceramente, como fugir disso! Mas a meditação pode te ajudar a lidar com estes imprevistos – afinal de contas a ideia de que se pode controlar tudo é apenas e tão somente isso, uma ideia. O pneu do carro fura, bancos sempre terão fila e crianças estão fadadas a, mais cedo ou mais tarde, quebrarem o pau; estes são fatos e, dificilmente, existirão momentos ideais para estas coisas acontecerem!

A ideia de praticar a meditação não é te transformar em um vegetal, que não reage a absolutamente nada. A ideia de meditar é te colocar em um lugar do qual você observa o vai e vem das suas emoções e, ao perceber que está indo em uma direção indesejada, possuir técnicas que te possibilitem interromper este vai e vem e voltar ao equilíbrio mais rapidamente. E meditar, com o tempo, vai te aproximando na transcendência desta dualidade – as coisas que acontecem não são boas e nem ruins, elas são o que são. Você é que se sente bem ou mal diante das coisas que acontecem, e se é você que se sente, se o sentimento é seu… Você pode trabalhá-lo para que seja mais harmônico, menos julgamentoso e crítico. O mundo não muda, com a meditação: quem muda é você. E quando você muda, tudo à sua volta muda também.

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