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Quando falamos em meditação, a maioria das pessoas pensa em sentar-se em flor de lótus, fechar os olhos… E simplesmente não pensar em nada. Esta ideia a respeito da prática é um dos principais motivos pelos quais tão poucas pessoas têm o hábito de meditar – não pensar em nada é absolutamente difícil!

Na verdade, podemos pensar na meditação como uma estação de trem: nossa percepção é como se fosse um passageiro, na plataforma, observando os trens que passam, um atrás do outro, nos trilhos à sua frente. Os trens são os nossos pensamentos: durante a prática meditativa, eles continuam passando pela nossa mente. Mas não é porque os trens se sucedem passando pela plataforma que precisamos entrar em qualquer um – não é porque nos vêm uma imagem à cabeça, uma lembrança ou preocupação que precisamos nos arremessar em cima delas. Podemos apenas observá-las passando, e perceber maravilhados como elas vêm e vão.

A mente não sabe fazer outra coisa além de pensar. Temos, em média, 60 mil pensamentos por dia, e 90% deles são exatamente os mesmos que tivemos no dia anterior. É esta hiperfunção cerebral que faz com que nos sintamos esgotados e atormentados com a vida cotidiana.

Quando nos dedicamos ao processo de observar nossa mente – ver como ela funciona, quais os pensamentos mais recorrentes, qual é seu movimento para nos distrair de nós mesmos, sempre pensando no que já passou ou no que ainda não aconteceu – é que dominamos a mente, ao invés de sermos escravizados por ela.

 

Modalidades meditativas

Existem inúmeras técnicas, formas e níveis de meditação, o que proporciona que a prática beneficie a todos, até mesmo àqueles que nunca meditaram na vida. Não precisa nem estar sentado: basta que sua mente se dedique apenas… à observar a si mesma. 

Uma outra forma bastante simples de compreendermos a meditação é, simplesmente, através do ato de estar presente. Pode parecer estranho colocar a meditação desta forma, mas a verdade é que raramente estamos presentes no aqui e agora quando estamos fazendo algo. Lavamos a salada do almoço pensando nos compromissos da tarde, dirigimos de casa para o trabalho totalmente no piloto automático, executamos, diariamente, centenas de atividades sem estarmos verdadeiramente despertos para aquilo que estamos fazendo. E, se não estamos presentes no momento presente enquanto fazemos tudo isso, estamos onde?

Perdidos em pensamentos. Totalmente absortos em um mundo interno, completamente desconectados de nossos corpos e dos cenários que percorremos. Quando estamos presentes, plenamente presentes em nossos corpos e nossas vidas, conseguimos perceber que a mente funciona quase que como uma força independente – e, assim, conseguimos nos desidentificar de seus pensamentos.

Desta forma, qualquer atividade simples pode se transformar em atividade meditativa. Podemos cortar tomates totalmente presentes, direcionando toda a nossa atenção para a percepção das cores, texturas e aromas que nos invadem quando simplesmente cortamos uma rodela. Podemos manter um estado meditativo enquanto cuidamos do jardim, enquanto praticamos Yoga, enquanto ouvimos uma música. Qualquer atividade pode se transformar em meditação se formos capazes de manter nossa atenção voltada para o presente, ao invés de permitirmos que nossa mente se transforme em um macaquinho enlouquecido, pulando de galho em galho.

 

Benefícios da Meditação

De modo geral, os objetivos perseguidos através das práticas meditativas são sempre os mesmos. Nossas mentes encontram-se constantemente trabalhando, seja fixando-se no passado, seja se orientando para o futuro, o que torna muito difícil estar focado no momento presente. A Meditação nada mais é do que um método que procura afastar todos os pensamentos de preocupação, ansiedade, expectativa ou medo, trazendo a atenção do praticante para o presente – seja através da observação de seu mundo interno nas práticas solitárias, seja se utilizando das imagens que são geradas a partir das instruções dadas nas práticas guiadas. Quando a mente se cala, o momento presente é vivenciado e, com a devida atenção, torna-se possível separar os pensamentos de nossa identidade. Quando há o recital de mantras, observa-se os movimentos da mente através do estabelecimento de uma meta clara para ela (a repetição de palavras ou frases).

São muitas os benefícios experienciados pelos praticantes de Meditação; dentre eles, destacam-se a melhoria da concentração, da memória e da capacidade de atenção, além de efeitos profundamente positivos na qualidade do sono de quem se dedica à Meditação com determinada frequência. Outros benefícios comumente relatados estão associados ao aumento gradual da autodisciplina, da determinação e da diminuição progressiva de sentimentos de ansiedade e inquietação mental.


Meditação e Religião

Apesar de ser comumente associada a religiões e práticas orientais, existem dados históricos que comprovam que a Meditação é tão antiga quanto a humanidade. A Meditação não é exatamente originária de uma região ou de um povo, tendo se desenvolvido em diversas culturas ao mesmo tempo, motivo pelo qual recebeu muitos nomes. O mais antigo relato a respeito da Meditação se refere ao Egito; há também registros de que a prática era comum também entre os Maias. Mas foi a partir da Índia, China e Japão que a Meditação se expandiu e conquistou o mundo.

Apesar de aparecer muito comumente associada a práticas religiosas e espirituais, a Meditação também é um excelente instrumento para o desenvolvimento pessoal em contextos não religiosos e uma ferramenta auxiliar bastante útil nos processos psicoterápicos, além de coadjuvante no tratamento de várias doenças de cunho emocional.

A palavra Meditação vem do latim meditare, que significa voltar-se para o centro e desligar-se do mundo externo, fazendo valer mais o que se passa dentro de si. Em sânscrito diz-se dhyana, em chinês é ch’anna e em japonês, zen.