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Sobre Budismo e Taoísmo: você conhece Kuan Yin?

Sobre Budismo e Taoísmo: você conhece Kuan Yin?

Kuan Yin ou Kuan-Shin Yin (em chinês 觀音), também conhecida como “Deusa da Compaixão”, é uma das figuras centrais do budismo e também do taoísmo, doutrina onde é considerada uma dos Oito Imortais. Inicialmente representada pela simbologia de Avalokiteshvara indiano, o culto a Kuan Yin chegou à China no ano 67dC, local no qual é a personificação da bondade e da misericórdia. Também conhecida

como Nu-Kua na China, a “Grande Mãe Cósmica” – de cujo útero teriam vindo todos os seres do mundo – está presente em várias outras culturas desde o ano 2500aC – sendo Kali na Índia, Tiamat na Babilônia, Temut no Egito, Têmis na Grécia pré-helênica e Tehom na Síria e em Canaã.

A lenda de Kuan Yin conta que ela foi uma princesa que teria vivido na China em 700 aC, filha de um rei muito importante que a obrigou a se casar, por poder, com um príncipe. Kuan Yin, rebeliando-se contra seu pai, fugiu para um mosteiro a fim de aperfeiçoar suas práticas espirituais, o que causou no rei grande inconformismo. O rei, em contrapartida, disposto a fazer com que sua filha se arrependesse de sua decisão, pediu que as monjas do mosteiro onde Kuan Yin vivia fossem especialmente duras e rígidas com a jovem princesa. Kuan Yin correu o mundo, constantemente confrontando-se com todo a dor e sofrimento humano, mas nunca mudou suas convicções. Conta a lenda que seu pai, o rei, nunca a perdoou; quando já era velho e doente, o rei mandou chamá-la para se despedir. E Kuan Yin, a despeito de todo o sofrimento que experienciara em virtude das atitudes de seu pai, curou-o de sua enfermidade mortal com apenas um toque de suas mãos.

Como todos os bodisatva (em chinês p’u-sa, “ser destinado à iluminação”), Kuan Yin também renunciou ao Nirvana e ao paraíso, fazendo o voto de permanecer no mundo humano até que todos os seres se iluminassem, não precisando mais de sua ajuda. Conta a lenda que, às portas do paraíso, Kuan Yin parou e desistiu de entrar, pois não conseguia deixar de ouvir os gritos das criaturas que sofriam. Dizem que Kuan Yin ainda vive na ilha de P’u T’o Shan, de onde ouve todas as preces de todos os seres. Somente a menção à seu nome aliviaria todas as dores, motivo pelo qual é adorada em muitos centros de cura ao redor do mundo.

Kuan Yin também é chamada de “Capitã do Barco da Salvação”, sendo considerada a que guia as almas que desencarnam rumo ao Paraíso Oeste de Amithaba, a Terra Pura, terra das bençãos, onde todas as almas podem renascer para continuar recebendo instruções e experiências para alcançarem a iluminação e a perfeição. Especialmente em Taiwan, várias são as histórias que contam como Kuan Yin aparece nos céus ou nas ondas para salvar pescadores da morte, frequentemente se manifestando sempre que seu nome é invocado.

Também conhecida como Salvadora Compassiva do Leste ou Grande Mãe do Leste, por todo o oriente a figura de Kuan Yin é enaltecida em centenas de milhares de templos que foram erguidos em sua homenagem. Um dos mais famosos textos atribuídos a Kuan Yin é o Sutra de Lótus, o mantra OM MANI PADME HUN, que significa “salve a jóia de lotus”, ou “recebemos a jóia da consciência divina, no centro do nosso chakra da coroa”. Outro mantra atribuído a Kuan Yin é o NAMO KUAN-SHIN YIN PU-SA, que significa “eu chamo pela Bodisatva Kuan Yin, aquela que vê e ouve o sofrimento do mundo”.

Especificamente no que se refere à Meditação, os mantras de Kuan Yin podem ser recitados enquanto o praticante visualiza a imagem de Kuan Yin e busca conectar-se com as vibrações energéticas relacionadas à cura, à compaixão, à bondade e à misericórdia. Os seguidores de Kuan Yin obedecem aos três festivais anuais que se dão em seu nome, comemorados no dia dezenove do segundo mês (seu aniversário), do sexto e do nono mês do calendáro lunar chinês. Essas três datas são consideradas muito especiais, pois devido à grande quantidade de pessoas sintonizando-se com Kuan Yin, acredita-se que sua influência e seus poderes de auxílio sejam potencializados nestes dias.

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