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Como lidar com a inveja de uma amiga?

Como lidar com a inveja de uma amiga?

P: “Tenho uma amiga que copia exatamente tudo que faço, falo, as gírias,  as ideias, o cabelo, os planos… Como lidar com isso? Como entender que você está transmitindo luz invés de estar colhendo a inveja? Parece infantil mas é irritante saber q a todo tempo alguém está de imitando. Como continuar emitindo luz sem sofrer a inveja e imitação?”

R: Existem duas formas de enxergar a situação que você está trazendo: uma mais visível e superficial, e outra mais profunda e, portanto, mais escondida. Vamos primeiro pela mais superficial e visível.

O que te impede de conversar com esta sua amiga e trazer à tona os seus sentimentos de desconforto e incômodo sem ter que lidar com isso sozinha, agindo para com ela como se absolutamente nada estivesse acontecendo? Todos nós temos dificuldade de convidar os desconfortos e incômodos para fazerem parte de nossos relacionamentos, e isso acontece porque todos nós morremos de medo de agir de uma forma que nos coloque em uma posição de risco de perder o amor dos demais. Eu começaria olhando para esta insegurança: como é ter uma amiga que age com você de um modo que te incomoda e simplesmente engolir o sapo sem poder ser sincera? Que tipo de amizade é esse? E será que você vem se relacionando com mais pessoas com as quais não pode ser sincera e verdadeira? O que mantém esta amizade, afinal de contas?

Um segundo ponto – mais importante, na minha opinião – se refere ao modo como você vem lidando não com a sua luz, mas com a sua sombra. Tem uma frase que eu gosto muito e que vai te ajudar bastante a encontrar uma saída para suas questões: o que o outro faz é problema dele, mas o que você sente referente a isso é problema seu. Então eu colocaria menos foco na inveja que sua amiga sente de você e mais na sua interpretação disso e nas reações que está tendo diante dos comportamentos dela.

 Dizem que quando mudamos, o mundo muda conosco, e isso é verdade. Quando nos transformamos, transformamos a nossa própria visão do mundo e, então, não restam às coisas que nos cercam outra alternativa a não ser acompanhar essa mudança. Porque a verdade é que enxergamos as coisas como NÓS SOMOS, e não como elas de fato acontecem. E tudo isso para te fazer uma pergunta: porque você encara a atitude de sua amiga como inveja, e não admiração? Porque é que, dentre todas as formas possíveis de interpretar as atitudes “copionas” de sua amiga, a inveja é a que mais se encaixa na sua perspectiva? Eu começaria minha reflexão daí, se fosse você; e nunca se esqueça deste dizer de Freud extremamente sábio: “Quando Pedro me fala de Paulo, sei mais de Pedro do que de Paulo”.

 O outro é sempre um espelho do que acontece dentro de nós – ou, como diz uma grande amiga minha, “o outro é sempre notícia de mim”. O que quer dizer, em outras palavras, que na verdade a sua amiga está apenas refletindo, de volta para você, a inveja que habita o seu interior e que, por algum motivo, você não está conseguindo enxergar em si mesma. E, veja bem, não digo apenas de você, e sim do mundo: todos nós somos invejosos em alguns momentos. Não estou aqui dizendo que você sente inveja desta sua amiga em particular, mas o fato de enxergar inveja nas atitudes dela apenas mostram que você sabe o que é inveja – e quem não sabe nem nunca sentiu inveja?

 O grande barato dos processos de autoconhecimento é justamente perceber quando algo que enxergamos no outro que nos incomoda está, na verdade, nos dando a oportunidade de conhecer e vislumbrar algo de nós mesmos que não seríamos capazes de conhecer e vislumbrar caso o outro não estivesse nos mostrando. O que vem, em seguida, é um gigantesco sentimento de gratidão pela oportunidade que estamos tendo de iluminar mais ainda nossa própria escuridão.

Namastê!

 

 

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