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Infância infeliz e cocriação

Infância infeliz e cocriação

P: “Flavia, por favor, me ajude! Não consigo conceber esta história de cocriação. Eu sou uma pessoa muito inquieta, negativa e não consigo paz. Tive um pai muito manipulador e agressivo na infância, minha irmã apanhava muito e simplesmente não consigo acreditar que nós tenhamos criado isso para nós. Como é possível? Não faz sentido. Por favor, me ajude, porque não sei mais no que acreditar. Quanto mais leio e pesquiso, mais confusa eu fico. Acho que esta coisa de autoajuda é apenas uma forma de ganhar dinheiro com o mal dos outros!”

R: Antes de mais nada, para começar a entender esta coisa de cocriação: partimos de um pressuposto de que esta existência aqui, onde estamos neste momento, não é a única que existe. Toda a ideia de cocriação está imbuída do conceito de que somos, na verdade, seres espirituais tendo uma experiência humana, e não seres humanos tendo uma experiência espiritual. Então, se somos seres espirituais, estar na matéria é apenas uma experiência circunstancial: existimos desde aquela primeira partícula de energia, que vibrava tão intensamente que expandiu, dando origem ao Universo e a todas as coisas – o que os cientistas chamam de Big Bang.

Nossa energia vem migrando desde aquele primeiro evento até hoje, mudando de formas e percorrendo diferentes locais do Espaço e Tempo: talvez você tenha sido uma pedra em Marte. Talvez uma unha de dinossauro, ou até mesmo um grão de areia em um dos anéis de Saturno. E hoje, você está aqui. Mas, como na Natureza nada se cria e nem nada se destrói, um dia você não estará mais AQUI, mas em algum lugar você estará. Não será você, com a sua genética e a sua personalidade desta existência mas, ainda assim, será a sua energia – e será sua consciência. Você novamente mudará de forma, e continuará existindo, até que o movimento de expansão deste Universo que conhecemos chegue ao seu auge e se inicie o movimento de retração. Até que, novamente, voltemos a ser aquela partícula de energia – todos sendo um, novamente.

Bom, dito isso, partimos para a resposta da sua pergunta. Sim, somos sempre responsáveis por aquilo que nos acontece. Só que NÓS, no caso, não se resume a quem você ou eu somos hoje, e sim à energia que sempre existiu e sempre vai existir. Existe um motivo para você ter sido atraída, a determinado ponto da gestação de sua mãe, para dentro do seu ventre e para a vida de seus pais, como um casal. Existiam certas particularidades nas dinâmicas de ambos que propiciavam que a sua genética atual, fruto de seus dois genitores, fosse a “casa” ideal para você iniciar sua experiência humana. A sua energia vibracional era um par perfeito para a energia vibracional deste casal – a quem, nesta experiência, você aprendeu a chamar de pai e mãe, mas que também são seres espirituais e eternos. Existia alguma necessidade, algum aprendizado, algum crescimento que apenas seria propiciado se você nascesse deste ventre. Se você quiser entender um pouco mais sobre o que estou dizendo, clique aqui e leia uma postagem na minha página do Facebook em que explano mais sobre isso.

Eu entendo que, quando você se lembra da sua infância, uma série de recordações terríveis venha à tona, e entendo que, pela dificuldade de compreender racionalmente o sentido que suas experiências tiveram no seu passado, você sinta uma frustração que se transforma em raiva e nesta ideia de que tudo isso só serve para dar dinheiro para uns em troca do mal estar dos outros. Acredite em mim: fui exatamente assim um dia, e não digo isso de forma arrogante, como se eu estivesse dizendo que sou melhor do que você porque compreendi uma série de coisas e você não. Na verdade, sinceramente acredito que não se trata de compreensão, porque nossa mente física e nossa capacidade humana de compreender o que quer que seja são bastante limitadas. Mas, ao menos na minha experiência, foi quando parei de brigar com os pais que tive que passei a aceitá-los como eles são.

Todo mundo, por mais incrível que pareça, está fazendo o melhor que pode, e sei que esta ideia parece absurda em alguns momentos. Mas duvido muito que algum dia seu pai tenha acordado, sentado na cama, coçado o queixo e simplesmente decidido que a partir daquele dia iria simplesmente ferrar com a vida dos filhos. Ele também tinha suas limitações – ah, seres humanos! – e fez o melhor que pode. O que não muda o fato de que não existe ninguém, por pior que seja, que não tenha nada a ensinar. Se você for capaz de, minimamente, se afastar das suas lembranças doídas, e procurar apenas uma coisa positiva que você tenha aprendido nesta dinâmica abusiva entre seu pai e você, algo terá valido a pena. E ser feliz não é nada além do que escolher olhar para as coisas através de uma ótica positiva, ao invés de negativa. Não é um lugar ao qual se chega, e sim um jeito de caminhar.

 

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