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Drogas e Espiritualidade

Drogas e Espiritualidade

P: “Olá, gostaria de saber sua opinião a respeito do uso de substâncias psicoativas para desenvolvimento da espiritualidade. Em muitas culturas os alucinógenos são utilizados na edificação espiritual pois podem eventualmente facilitar a ocorrência de estados alterados de consciência, como por exemplo a Ayahuasca. O que pensa a respeito? Como podem afetar nosso potencial de cocriação?”

R: Muitas são as substâncias psicoativas utilizadas de acordo com preceitos religiosos e/ou espirituais. Talvez seja a Ayahuasca a mais famosa delas em virtude da grande visibilidade que a religião do Santo Daime adquiriu na mídia, mas há séculos várias outras substâncias são utilizadas com o intuito de desenvolvimento da espiritualidade. A Cannabis, o LSD, alguns tipos de cogumelos e até mesmo ervas bastante comuns, como determinados tipos de Sálvia, vêm sendo utilizados com tais propósitos há muitos e muitos anos. A própria Monja Coen, representante máxima do Zen Budismo no Brasil, não nega que suas primeiras experiências espirituais de expansão da consciência tenham se dado através da utilização de LSD (como descrito de modo absolutamente transparente na Biografia autorizada “Monja Coen – A Mulher nos Jardins de Buda). A verdade é que o uso de ervas e derivados vem sendo feito pelos seres humanos desde sempre, tornando-se difícil até mesmo de separá-lo da história da humanidade.

Por isso, antes de mais nada, quero deixar claro que minha resposta se dirigirá apenas a responder a sua pergunta a respeito do uso de psicoativos no desenvolvimento da espiritualidade, sem entrar em outros âmagos extremamente tentadores de serem abordados. Porque muitos seriam os pontos de vista e ângulos a serem examinados se fôssemos analisar cada tipo de substância e se merecem ser consideradas drogas ou não, o quanto podem ou não podem desencadear transtornos psiquiátricos e uma gama de outros pontos que devem ser levados em consideração quando abordamos o uso de QUALQUER substância considerada droga – o que inclui, na MINHA PERCEPÇÃO, substâncias legalmente permitidas como álcool, cigarros e até mesmo determinados tipos de MEDICAMENTOS vendidos livremente em farmácias. Mas, para evitar polêmicas, vamos nos ater às questões referidas em sua pergunta!

E para tratar da questão nestes termos em que você me pergunta, vamos começar do começo: tudo é vibração. Nós vivemos uma realidade vibracional, certo? Tudo é energia, vibrando em diferentes níveis e diferentes frequências. Matéria é, apenas, energia condensada. E, como disse Einstein, luz é matéria em seu estado radiante. Então, antes de qualquer outra coisa, estamos falando de energia vibrando em diferentes frequências. E quando falamos de expansão da consciência estamos falando de vibrar em frequências energéticas diferentes, superiores e mais sutis. Este é o verdadeiro significado energético de transcender a matéria: vibrar em uma frequência superior à dela.

O grande pulo do gato é que este processo de desenvolvimento espiritual e expansão da consciência deve ser EDIFICADO, ou seja, construído passo a passo. E o primeiro passo na construção de qualquer coisa é cuidar das estruturas, porque serão elas a suportar o peso do que vem a seguir. Se pensarmos no caso de uma pessoa que vai construindo seu caminho passo a passo e pudéssemos enxergar com olhos físicos a mudança gradual da vibração energética, poderíamos ver a vibração se elevando gradualmente, refinando-se e tornando-se cada vez mais e mais sutil. Se este processo pudesse ser representado através de uma forma geométrica, talvez ele se assemelhasse a um triângulo, com base maior sustentando o processo que se torna mais e mais sutil à medida em que as práticas de expansão avançam no tempo. Então a base do triângulo representaria uma vibração mais densa e pesada, enquanto o cume do triângulo representaria uma vibração mais sutil e etérea.

O grande problema, na minha percepção e ponto de vista, do uso dos psicoativos nestes processos de expansão da consciência e desenvolvimento espiritual ocorre quando as práticas realizadas não se ocupam de construir esta base sólida do triângulo. Quando isto acontece, a pessoa eleva sua vibração energética através da substância psicoativa de modo brusco, e não de maneira construída passo a passo. Pensemos assim, não é de grão em grão que vai se enchendo o papo, e sim de 0 a 100 em 15 minutos (entenderam que estou falando de modo metafórico, né?). E, nestes casos, quando o efeito do psicoativo utilizado começa a passar, a vibração cai de modo igualmente brusco pois o caminho de construção desta elevação vibracional não foi construído “hertz a hertz”. O praticante tem uma oscilação muito grande do ponto de vista vibracional, o que pode acarretar em uma série de consequências, dentre elas prejudicar SIM o processo de cocriação.

Quando falamos de cocriação estamos falando de campos vibracionais que se conectam com campos vibracionais de mesmas características – então você consegue imaginar o que acontece se as características destes campos mudam drasticamente? Uma maluquice ressonante que torna muito difícil que a cocriação se manifeste de modo contínuo, concreto e coerente.  Se pensarmos em frequências vibracionais como energias que possuem diferentes cores, uma hora o campo vai ter a cor vermelha e, no momento seguinte a cor verde, passando em um curto espaço de tempo por todas as cores intermediárias… Como entrar em ressonância de modo equilibrado e harmônico?

Então, respondendo à sua pergunta, a questão não me parece ser a de se substâncias psicoativas devem ou não devem ser usadas, e sim COMO são usadas. Citando novamente a Monja Coen: quando questionada, em entrevista no Programa do Jô, a respeito de sua opinião sobre o  uso de LSD no desenvolvimento da espiritualidade, ela respondeu: “para quê entrar pela janela se podemos entrar pela porta?”. Lembre-se sempre de construir o triângulo – a construção de qualquer edificação começa, sempre, pelas estruturas. Não se esqueça disso.

Namastê.

 

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