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Ter dinheiro é errado?

Ter dinheiro é errado?

P: ” Flavia, estava assistindo a um vídeo no YouTube em que o palestrante falava sobre a nova era de mudanças da Terra, onde as pessoas vão ter que escolher entre o caminho do material e do espiritual! Isso significa o quê? É perda de tempo alguém fazer uma faculdade e ter uma profissão comum, ter dinheiro, casa, carro? Estou confuso e gostaria de ouvir sua opinião.”

R: Em primeiro lugar, gostaria de deixar claro que omiti o nome do palestrante que você cita para evitar exposições e desconfortos, mas o conheço pessoalmente e posso te dizer sem sombra de dúvida que ele não é uma pessoa que prega o voto de pobreza ou que condena a riqueza ou o fato de ter posses. Digo isso especificamente a você porque, muitas vezes, enxergamos apenas nossos próprios medos e nossas próprias verdades em outras pessoas e, em alguns momentos, podemos distorcer aquilo que escutamos de outras pessoas naquilo que pensamos ou acreditamos por pura projeção… Sugiro que assista novamente ao vídeo com novos olhos e novos ouvidos para, quem sabe, escutar coisas novas no que ele tem a dizer.

Agora, falando especificamente sobre sua pergunta: muitas são as pessoas que dizem que a Terra está passando por um processo de transformação. Várias culturas e filosofias diferentes apontam para uma mudança de era no desenvolvimento da consciência humana. Se quiser entender mais sobre este processo – e sobre muitas outras coisas, aliás – sugiro que assista a uma série de vídeos no YouTube chamada Spirit Science, que explica com maestria o que tudo isso quer dizer.

Para compreender o que vou falar de agora em diante, quero que você pense no planeta Terra como um organismo VIVO, e não apenas como um cenário que circunda nossas vidas. A Terra é um ser vivo, assim como nós os somos. E, da mesma forma que nós seres humanos temos pequenas bactérias e parasitas habitando nosso corpo, nós somos as bactérias do planeta. Algumas pessoas pensam nos seres humanos como verdadeiros parasitas – vírus que se espalham e estão destruindo tudo o que os cerca. A visão aérea de uma grande cidade pode bem se assemelhar às imagens microscópicas de uma célula cancerígena e muitos de nós acabamos funcionando, neste organismo vivo, realmente como um vírus. Mas eu tenho uma visão mais otimista da coisa e, então, prefiro fixar no exemplo das bactérias.

Existem bactérias que são essenciais à sobrevivência de nosso corpo, enquanto algumas outras são prejudiciais porque colocam a saúde do todo em risco, em seu movimento de sobrevivência e proliferação. Nestes casos, tomamos antibióticos e eliminamos as bactérias nocivas à nossa vida. Certo até aqui?

Todos ser vivo tem suas fases de vida. Primeiro somos bebês recém-nascidos, depois nos transformamos em crianças, adolescentes e, por fim, jovens adultos. Mais tarde envelhecemos e, por fim, morremos. Nossos corpos voltam à Terra, nosso espírito retorna aos céus e tudo, absolutamente tudo, se renova para que uma nova vida ocorra. E neste processo de sucessivas vidas, o ser humano progride espiritualmente em direção à uma ética superior de compreensão a respeito do mundo que o cerca, das pessoas com quem convive e com relação até mesmo à sua própria vida. Através de sucessivas vidas o espírito se torna mais próximo da perfeição divina, mais identificado com os ideais de desenvolvimento e menos atraído pela ilusão da matéria, pois já compreendeu que tudo o que se tem é transitório e impermanente: uma hora estamos aqui, outra hora não estamos mais e, quando vemos, estamos novamente… De modo que qual é o sentido de viver uma vida em função da matéria, das posses e das ilusões ligadas ao dinheiro, fama e reconhecimento?

Eu acredito que as coisas estejam, sim, mudando muito. A sensação de que o tempo está passando mais rápido é nítida e acomete não apenas pessoas que vivem nas grandes cidades como também populações inteiras que vivem absolutamente integradas ao ritmo natural: pescadores que, antigamente, teciam uma rede de pesca entre o momento de voltar do mar pela manhã e o horário de almoçar se queixam que não dá mais tempo. A passagem mais acelerada do tempo, que alguns relacionam ao fenômeno de Ressonância de Schumann, não é sentida apenas pelas pessoas que fazem mil coisas ao mesmo tempo e que estão sempre conectadas ao celular.

A quantidade de pessoas que está morrendo é enorme, você já percebeu? E o mesmo pode-se dizer a respeito da quantidade de mulheres que estão engravidando nos últimos tempos. É, de fato, como se estivesse ocorrendo uma grande renovação na humanidade. O planeta está mudando de fase de vida? Caminhando da puberdade em direção à idade adulta? Pode ser. Mas a verdade é que nosso modo de vida está se tornando absolutamente insustentável. E algo precisa ser feito para que possamos continuar sendo bactérias saudáveis e não organismos mortais aniquilando o planeta. Assista a este episódio de Spirit Science para compreender do que estou falando.

Entretanto, isso não significa que a saída seja ignorar a matéria por completo. A resolução de tudo isto não está em simplesmente abandonar a sociedade e se refugiar no alto de uma montanha sem dinheiro, sem casa e sem carro – não há o menor problema em ter dinheiro, casa e carro, o problema é quando estas coisas se tornam o seu objetivo maior na vida em detrimento do bem que pode ser feito pela humanidade. Nós todos somos espíritos em evolução, e um espírito em evolução, que está amadurecendo e se tornando cada vez mais próximo da perfeição divina dificilmente viria a um planeta tridimensional para se chafurdar na matéria, se tornar um mostro capitalista que só pensa em ter dinheiro e que coloca seus interesses econômicos acima de todos os outros. Um espírito em evolução apenas viria para uma realidade tridimensional se interagir com a matéria fosse necessário para seus objetivos evolutivos e, por isso, ignorar a importância de ter uma vida confortável na matéria também não seria muito inteligente.

Nós precisamos da matéria para aprender a conviver com ela. A questão é que existem tantas crenças limitantes relacionadas a ela que crescemos ouvindo que dinheiro é sujo, que fulano é rico por rouba e que quem é honesto não chega a lugar nenhum. Temos praticamente tatuadas em nossas mentes a ideia de que o político corrupto é um sacana mas, ao mesmo tempo, estamos programados no piloto automático para sonegar imposto de renda. Temos instaurada em nossas cabeças a idéia cristã de que “é mais fácil um elefante passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos Céus”, mas Cristo não estava falando do rico como o cara que tem grana e sim o cara que troca tudo pelo dinheiro. Podemos ter milhares de reais e, no entanto, sermos desapegados deles. Podemos ter a casa que for sem nos identificarmos com ela, podemos ter o carro que quisermos sem achar que somos um bando de fracassados caso, um dia, não tenhamos mais o carro, ou o dinheiro, ou o barco, ou o helicóptero.

Não existe nada de errado em ter dinheiro e, quando bem aproveitado, ele pode ser inclusive utilizado para fins ligados à espiritualidade. Mas sem que exista uma dependência, sem que ter dinheiro ou casa ou carro ou posses seja mais importante do que o aspecto humano de estar vivo e, muito menos, mais relevante do que viemos, como espíritos, fazer por aqui: amar ao próximo como a nós mesmos.

E mais nada.

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