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Sobre cocriação: cocriei o suicídio de minha mãe?

Sobre cocriação: cocriei o suicídio de minha mãe?

P: “Flavia, de acordo com o que você diz de cocriação, tudo em minha vida fui eu quem criei e vou criar. Minha mãe, após várias tentativas, se suicidou… Ainda não sei como conseguir/consigo lidar com isso. Em algum momento fui eu quem criei, não foi? Me casei com um homem maravilhoso… Mas sempre me vem um medo, uma sensação de que algo ruim está para acontecer! Será que estou criando outra tragédia em minha vida?”

R: O que você chama de realidade? O que está acontecendo ou o que você enxerga do que está acontecendo?

Há algum tempo li uma pesquisa que alguns estudiosos em neurociências fizeram a respeito de o que é realidade, e os sujeitos de pesquisa foram atletas. No estudo, os atletas tinham eletrodos presos à suas cabeças enquanto praticavam as atividades esportivas nas quais eram especialistas, e estes eletrodos mediam seu funcionamento cerebral durante o desempenho destas atividades. Em um segundo momento, os atletas eram colocados sentados em confortáveis poltronas e, então, eram solicitados que IMAGINASSEM-SE praticando suas atividades esportivas. Uma nova mensuração dos resultados foi feita e… Adivinhe? Exatamente os mesmos resultados foram colhidos em ambas as situações. O resultado da pesquisa foi o seguinte: para o cérebro, tanto faz se algo está acontecendo ou não. Realidade, para ele, é o que ele imagina acontecendo.

Eu não vou mentir prá você dizendo que sei tim tim por tim tim nos menores detalhes o funcionamento quântico da história da cocriação, até porque não sou física quântica e teria que nascer de novo para conseguir entender esses lances de realidades paralelas e entrelaçamento quântico. Mas o que vou te dizer eu sei e sei tanto de ser minha área profissional quanto de ter feito este exercício centenas de vezes em minha própria vida pessoal: não vemos as coisas como elas são. Vemos as coisas como nós somos.

Existe uma frase que diz assim: a vida é 10% o que nos acontece e 90% o que fazemos diante disso, e no que se refere à sua pergunta eu tenho uma adaptação a fazer. Diria que a vida é 10% o que nos acontece e 90% o modo como enxergamos o que nos acontece. Por que uma mesma situação pode, em alguns momentos, ser uma desgraça para, no momento seguinte, se transformar em uma grande benção? Como isso pode acontecer?

Pode acontecer porque nós mudamos o nosso olhar – ou o filtro através do qual analisamos a realidade que nos cerca. Outra frase famosa diz assim: “Assim é, se lhe parece”. Clarice Linspector diz, em “A Hora da Estrela”: “Ela acreditava em anjos e, porque acreditava, eles existiam”. Lembre-se dos atletas da pesquisa científica que iniciei o texto citando. Pois é neste sentido, dentre tantos outros mais complexos e complicados de serem entendidos, que afirmo com toda a segurança: nós criamos a nossa realidade.

Sua mãe cometeu suicídio por motivos que, talvez, não tangenciem a sua própria realidade. O que estou querendo dizer é que eu não sei te dizer se foi você quem cocriou o suicídio em si porque vibrava em uma determinada frequência e esta determinada frequência se sintonizou com um Universo paralelo no qual sua mãe cometeu suicídio. Juro, não posso te dizer isso, nem que sim e nem que não, porque eu também não entendo como estas coisas funcionam. Apesar de muita gente chegar até mim por materiais desenvolvidos ligados à lei da atração, nunca me denominei especialista no assunto e nunca me arrisquei a explicar o funcionamento exato destas coisas. Mas o que eu sei, e sei de verdade, é que o significado que damos às coisas é de nossa inteira responsabilidade.

Sua compreensão acerca da morte de sua mãe é sua responsabilidade. E como o seu cérebro acredita em qualquer coisa que você imagine, talvez sob esta perspectiva você seja responsável pelo suicídio da sua mãe DE ACORDO COM O QUE VOCÊ ENXERGA E COMPREENDE DELE. E, sim, você é capaz de ressignificar a sua experiência de modo não a voltar no tempo, trazer sua mãe de volta ou criar uma realidade paralela na qual você não passou pelos traumas e sofrimentos que você passou. Mas a sua visão sobre o que aconteceu pode mudar e, com esta mudança, uma porção de dores podem deixar de existir. Mais uma frase famosa: “muda, que quando você muda o mundo muda junto”.

Você fala sobre estar cocriando tragédias a partir de seus medos e nisso eu concordo em gênero, número e grau contigo. Sim, o medo é capaz de criar grandes tragédias em nossas vidas; entretanto, o curioso é que estas tragédias não acontecem quando efetivamente se tornam realidade, e sim quando deixamos de viver o momento presente, no qual nada de errado ou ruim está acontecendo, porque passamos a olhar apenas para aquilo que temos medo que nos aconteça. Nosso presente vira um inferno. E, mais uma vez, levando em consideração apenas a minha visão e experiência, tudo aquilo que imaginamos acaba sendo infinitamente pior do que o que é de fato quando estas mesmas coisas acabam se transformando em realidade. Nossas mentes sempre projetam os piores desfechos, cenários e possibilidades. Quando se trata de nossos medos, nossas projeções são sempre recheadas de requintes de crueldade com a gente mesmo, pois nossas mentes levam em consideração nossas fragilidades mais acentuadas e vulnerabilidades mais fortes. E o medo, a sensação de apreensão e a resistência a que estas coisas realmente aconteçam nos colocam em um estado fisiológico de estresse que só piora a situação. Crenças limitantes como “está bom demais para ser verdade”, ou “quando a esmola é demais o santo desconfia” servem apenas para piorar a situação.

Minha sugestão, levando em consideração seu caso e suas características, seria praticar ho’oponopono. Existe uma série de livros, vídeos, textos e métodos a este respeito, mas se quiser saber minha opinião sobre o tema, comece por aqui. Nós somos responsáveis por nossa realidade simplesmente porque nossa realidade depende do que existe do lado de dentro de nossos olhos. E ninguém, em tempo algum sob nenhuma circunstância, vai conseguir mudar isso.

Namastê _/\_

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