0
BLOG ♡ Refletindo sobre a caridade

BLOG ♡ Refletindo sobre a caridade

Antes de ontem à noite estava dando aquela fuçadinha no Instagram antes de dormir quando uma seguidora fez a marcação: #amigosdopedrinho. Computei mentalmente a informação e continuei fazendo minha conferência noturna. Lá pelas tantas vejo a gratidão da minha irmã, que está participando dos 100 Dias de Gratidão proposto lá no Instagram e no Face: e sua gratidão era justamente relacionada à causa de quem? Pois é: do tal do Pedrinho. Como se não bastasse, minutos depois uma outra seguidora veio comentar da causa do Pedrinho, me mostrando o Instagram do movimento: @amigosdopedrinho. Daí não dava mais para ignorar a causa. Depois dela, mais 3 pessoas vieram e fizeram comentários a respeito do caso do menino que, necessitando de um transplante de intestino, precisa desesperadamente ir para os Estados Unidos, onde a cirurgia é feita. Se você quiser saber mais sobre o caso do Pedrinho clique aqui.

O fato é que, ao entrar em contato com o caso do menino, eu mais do que depressa senti dentro de mim uma urgência em contribuir de alguma forma com a causa, além de fazer a doação em dinheiro (que é, inclusive, a maior necessidade do Pedrinho). E, doação feita e postagem compartilhada nas redes sociais, peguei-me pensando sobre a importância da caridade, e do que ela verdadeiramente significa aos olhos do Universo (sim, como se o Uni tivesse olhos) além da percepção de uma intenção básica em ajudar a quem necessita. O que você pensa sobre isso? Como entende a caridade?

Eu sempre entendi a caridade como uma coisa muito bonita e linda e querida que eu adoraria fazer quando tivesse dinheiro de sobra. Super ok, momento confesso: eu era destas que falam “quem precisa de ajuda sou eu, que estou com meu cartão de crédito vencendo hoje”. Alô-ôu? Tipo, oi? Cartão de crédito vencendo hoje? E isso lá é desculpa para não ajudar a quem REALMENTE precisa? Pois é. Ou melhor, era. Porque quando eu comecei a refletir mais sobre estas questões e, principalmente, entrando em um maior contato com a minha espiritualidade, comecei a sentir vergonha alheia de mim mesma. Caramba, era muito mesquinha. Mas uma mesquinha adorável, que eu também já aprendi a aceitar e acolher todas as minhas partes, inclusive a mesquinha que fui um dia. Mesquinha e fofa, tá?

Mas o fato é que eu vibrava MUITO MEDO por trás do gesto da caridade. Eu enxergava que só poderia doar quando me sentisse segura com o que eu tinha. Eu não estava doando o que o outro precisava, e sim o que eu não me via precisando. O foco não estava em ajudar ao outro, e sim em não me prejudicar. E quando comecei a compreender que todas as nossas atitudes importam na construção da nossa realidade, tive uma percepção absolutamente nova sobre o que o gesto de doar algo significa.

Vamos lá, brincando de imaginar coisas: imagine que o Universo é um cara. Pode ser uma mulher também, se você preferir – mas quando eu imagino o Uni é sempre O Uni, então vou me referir a ele como um cara. Imagine que este cara está lá em cima, sei lá, em cima de uma nuvem ou então no meio de uma galáxia, olhando para você. E ele te vê, aqui embaixo, caminhando pela rua, cruzando o caminho de um mendigão. O mendigão olha bem nos seus olhos e te pede um trocado e, você, até tem dois reais dentro da carteira. Mas naquele momento pensa, “não vou abrir a carteira porque dentro da carteira tem notas de 20 e 50 e tenho medo que ele me roube”. Ou talvez você pense, “não vou abrir minha carteira porque dentro tem notas de 20 e 50 e vou ficar me sentindo péssima de dar só dois reais”. Ou talvez você não pense nada, apenas ignore o mendigo porque acha que, afinal de contas, só tem mendigo na rua porque tem gente que dá esmola e “eu é que não vou ser conivente com isso”. Ou tanto faz o que você pense. Você simplesmente o ignora, ou diz que não tem, ou dá um sorrisinho triste e pede desculpas (eu era adepta do sorrisinho triste e pedido de desculpas). O fato é que você segue o seu caminho, com o trocado do qual provavelmente nem sentiria falta se perdesse, dentro da sua carteira, deitadinho de conchinha com as notas de 20 e 50. E o mendigão segue o caminho dele, estendendo a mão para o próximo humano que cruzar seu caminho, “um trocadinho, por favor”. Você talvez pense, em algum momento, que adoraria poder fazer alguma coisa para ajudar “essa gente”. Talvez você blasfeme contra os políticos corruptos e suas cuecas cheias de dinheiro. Ou, talvez, você só se sinta muito mal porque sabe o quanto pagou pelos seus sapatos e não consegue entender o porquê do mundo ser tão injusto. Você consegue imaginar esta cena?

Pois bem. Agora nos voltemos ao Uni, lá em cima da nuvem. Ele viu direitinho tudo o que aconteceu. E, agora, responda esta pergunta a si mesmo, antes de responder para mim ou para qualquer outra pessoa: o que você acha que ele está pensando de você e da sua atitude? Ok, guarde esta opinião. Vamos continuar brincando de imaginar coisas.

Agora você anda pela rua e, mais uma vez, cruza com o mendigão. E você tem o trocadinho, e tem notas de 20 e 50, do mesmo jeito que da primeira vez; e você abre a sua carteira, talvez tomando cuidado para que ele não veja as notas mais valiosas, mas você abre a carteira e dá o trocado para ele. Você segue o seu caminho, o mendigão segue o caminho dele, mais satisfeito do que antes porque agora tem dois reais para gastar com um pedaço de pão, ou com uma dose de pinga, tanto faz. O que conta, aqui, é que um ser humano tinha uma necessidade que foi sanada pela sua atitude. O que ele vai fazer da esmola é problema dele – você tinha como ajudar, e foi isso que você fez.

Novamente: volta lá pro Uni, olhos atentos enxergando a tudo. De novo: o que ele pensa de você e da sua atitude? E, comparando com a opinião do primeiro exercício: a opinião dele a seu respeito melhorou ou piorou? Qual foi a mensagem que VOCÊ passou ao Universo ao ajudar um outro ser humano? E, repito, não importa como ele utiliza o recurso provido por você – isto é responsabilidade dele, não sua. Se ele julga precisar mais de uma dose do que de comida, quem decide a vida dele é ele. E a você cabe decidir a sua, o que nos traz a um ponto muito importante: qual é a mensagem que você quer passar ao Universo? De alguém mobilizado por sentimentos de medo, desconfiança e insegurança ou de alguém que colabora para que as necessidades sempre sejam satisfeitas? Porque o Universo, minha gente, o Universo é um terreno fértil que vai germinar todas as sementes que você plantar – saiba disso. Nós temos o livre arbítrio, o Uni fala amém prá tudo o que fizermos. Se plantarmos sementes de medo, insegurança e riscos, esta será a árvore que iremos ter como resultado. E se, ao contrário, plantarmos sementes de auxílio ao próximo em suas necessidades, o fruto colhido futuramente terá este mesmo sabor – de pão nosso de cada dia que nos é dado hoje.

A verdade é que, quando doamos, estamos passando uma mensagem de amorosidade e de confiança que, inevitavelmente, reverberará em nossa direção, mais cedo ou mais tarde. Quando olhamos para a necessidade de uma outra pessoa e a provemos, estamos entrando energeticamente em uma cadeia de possibilidades sendo oferecidas a necessidades que, mais cedo ou mais tarde, resultará nas nossas necessidades sendo atendidas. E eu falo isso com uma convicção absurda porque eu experimentei e já vivenciei coisas absolutamente bizarras no campo da caridade e da doação. Sério mesmo, coisas que se eu saio contando por aí ninguém acredita, do tipo numa esquina eu dar 5 mangos pruma senhorinha depois de um embate interno porque era a única coisa que eu tinha na carteira e, na esquina seguinte, achar uma nota de 10 no chão. JURO.

Mas antes de qualquer outra coisa, a caridade faz bem a quem a pratica. Lembro-me da primeira vez em que eu, o Ri e alguns amigos saímos à noite, em uma quarta-feira mega chuvosa e congelante do ano passado, para distribuir cobertores e meias de lãs para os moradores de rua daqui de Sampa. Chegamos em casa de madrugada, molhados, congelando, mas total e absolutamente felizes e regenerados. Eu, que achei que fosse acordar com dor de cabeça no dia seguinte pela falta de sono, não me lembro de ter me sentido mais bem disposta no outro dia de manhã. A sensação de ajudar a quem precisa é algo mágico, único. Não é por acaso que tantas doutrinas religiosas e espiritualistas falam tanto da importância da caridade.

Eu já disse e repito que não sou católica e nem cristã, apesar de considerar Jesus um dos maiores avatares que o planeta já conheceu. Mas quando penso em determinada passagem da Bíblia, quando ele diz em algum lugar sei lá qual que é mais fácil um elefante passar pelo buraco de uma agulha do que um rico adentrar os reinos dos céus, fico pensando exatamente nestas questões. Rico, acredito eu, nestes dizeres representam não quem tem dinheiro, mas quem é APEGADO a ele. E reino dos céus eu não entendo como um paraíso no qual entramos depois de nossa morte, e sim o paraíso que somos capazes de experimentar no aqui e agora e que poderia, na minha percepção, ser muito bem compreendido como PAZ e TRANQUILIDADE.

Quanto mais eu penso sobre estas questões, mais me dou conta do quanto irracional é que uns tenham tanto e outros, tão pouco. E não porque seja injusto, ou justo, ou merecido, ou esteja em alinhamento com a natureza e essência energética de cada coisa. É irracional porque nenhuma espécie na Natureza acumula mais coisas do que precisa e do que pode usar, nenhuma espécie na Natureza armazena e cerca suas posses enquanto outros membros da mesma espécie agonizam suas necessidades. Pois é, nós somos os únicos. E eu sei muito bem que vender todas as coisas que eu possuo e distribuir meu dinheiro por aí não vai resolver problema nenhum de forma duradoura – mas, talvez, compartilhando minhas ideias eu vá. E se eu puder colaborar com pequenas causas aqui e ali nas quais acredito e diante das quais eu sinto meu coração bater mais depressa, eu vou colaborar. E você?

Namastê.

Sobre flavia